terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Morte e transfiguração

No fundo da igreja, um cemitério.
- Vejo-te na leitura.
Amanhã.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

A janela

De madrugada começavam a escutar-se os primeiros passos. As pernas pesadas. O corpo arrastado. Lá para fora, espreitava-se o rio. O horizonte do futuro. Intocado. A recordação do dia seguinte. A fuga nas mãos. Na noite cega dos caminhos do sonho. Onde tudo se transforma. Onde a memória é doce, e guarda no colo as feridas, que em sangue lhe escapam por entre as pernas. Depois, tudo é sorriso e brandura. O olhar escapa-se sempre pela janela. Mesmo quando o corpo se retrai na clausura dos passos arrastados das madrugadas arrancadas à morte.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Música com carinho e com efeito

A música como nunca ouviu antes. Com sentido de humor e uma grande cultura musical. Pedro Gonçalves no seu melhor. É só clicar com carinho e com efeito.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Cada espelho

Imagem no caleidoscópio.
Luz cor de olhos. Sobre ti.
Recordação. Assim leve. A escorregar das mãos num sorriso breve.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Indecisa rosa

cansada da terra. viaja no tempo. onde já ninguém sonha.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

O jogador

o homem murmura até ele.
amanhã

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Rumor de água

rio interminável
sedento prazer
a noite avança no resíduo indolente do riso. o rosto para trás
olhar inclinado
o riso para trás
luz vaga por entre as formas de um corpo ausente
pilhas de livros. a pele em chamas
o riso
o tempo dilui-se na memória que arde em pedra

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Nesta rua

naquela tarde ou noutra. por entre os bosques numa lenta surpresa. sem lembranças nem esquecimento. descemos de mãos dadas até à última sombra.

Luiz Pacheco: Talvez foder

E sai um livro de entrevistas. Estava previsto antes dele ter morrido. Acasos. Assim, ele continua a falar, para nos lembrar que não podemos calar. Na minha, pode ajudar imaginá-lo a responder às perguntas vestido de Pai Natal mas com um gorro a imitar o Pedro Abrunhosa. Tinha acabado de sair o disco «Talvez Foder» e o Pacheco juntava as duas mãos, unidas como uma pirâmide apenas pela ponta dos dedos, à maneira do Abrunhosa.

Caminho cara de pedra

Povoa o espaço.
Morre comigo.
Traça o rasto do passado,
desvanecido,
na luz subterrânea do amanhã.



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Vermelho

Em fundo verde.
Na ponta dos dedos.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Uma tarde

A cavalo no cenário.
Sonhos a poente,
Esperamos nunca esquecer...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008